O fim das Lojas Brasileiras: o que podemos aprender com essa história?

Como a rivalidade com as Lojas Americanas e a mudança no cenário econômico levaram ao fechamento de uma das maiores redes de varejo do Brasil

Um logotipo que foi o último das lojas brasileiras antes de virar Marisa
Foto: Miguel Gregorio/Logopedia


As Lojas Brasileiras foram uma das maiores redes de lojas de departamento do Brasil, que chegaram a ter mais de 6 mil funcionários e faturar cerca de R$ 500 milhões por ano. Porém, em 1999, a empresa anunciou o fim das suas atividades, após acumular uma dívida de cerca de R$ 100 milhões. O que aconteceu com as Lojas Brasileiras? Quais foram os erros e os acertos dessa história? E o que podemos aprender com ela?

Neste artigo, vamos contar a trajetória das Lojas Brasileiras, desde a sua fundação em 1944 até o seu fechamento em 1999. Vamos analisar os fatores internos e externos que influenciaram o seu sucesso e o seu fracasso, e vamos extrair algumas lições para os empreendedores e gestores do varejo atual.


A origem das Lojas Brasileiras


As Lojas Brasileiras foram fundadas em 1944 por Adolfo Basbaum, um imigrante judeu que veio da Polônia para o Brasil. Basbaum tinha experiência no comércio, pois já havia trabalhado em lojas de tecidos e de móveis. Ele decidiu abrir a sua própria loja de departamentos, com o objetivo de oferecer produtos variados e de qualidade a preços acessíveis.

O nome Lojas Brasileiras foi escolhido como uma forma de se diferenciar das Lojas Americanas, que já existiam desde 1929 e eram a principal concorrente no segmento. Basbaum queria mostrar que a sua loja era voltada para o público brasileiro, com produtos adaptados às suas necessidades e preferências.

A primeira loja foi inaugurada na Rua Direita, no centro de São Paulo, e logo se tornou um sucesso. A loja vendia desde roupas e calçados até eletrodomésticos e brinquedos, e tinha como slogan "Tudo para o lar e para a família". A loja também se destacava pelo seu atendimento personalizado e pela sua política de trocas e devoluções.


A expansão das Lojas Brasileiras


Nos anos seguintes, as Lojas Brasileiras foram se expandindo pelo país, abrindo filiais em diversas cidades e estados. A empresa investia em propaganda, em treinamento de funcionários e em modernização das lojas. A empresa também diversificava o seu mix de produtos, acompanhando as tendências do mercado e as demandas dos consumidores.

As Lojas Brasileiras se tornaram uma das maiores redes de varejo do Brasil, disputando a liderança com as Lojas Americanas. As duas empresas eram rivais ferrenhas, e muitas vezes abriam lojas próximas umas das outras, para disputar a clientela. As Lojas Brasileiras tinham como vantagem o seu apelo nacionalista, o seu sortimento mais amplo e o seu preço mais baixo.

As Lojas Brasileiras também se envolveram em projetos sociais e culturais, patrocinando eventos, programas de rádio e televisão, e apoiando instituições beneficentes. A empresa também criou o seu próprio cartão de crédito, o Cartão Brasileiras, que facilitava as compras dos clientes e aumentava a fidelização.


A crise das Lojas Brasileiras


Nos anos 1990, as Lojas Brasileiras começaram a enfrentar dificuldades financeiras e operacionais, que culminaram no seu fechamento em 1999. Vários fatores contribuíram para essa situação, entre eles:

A mudança no cenário econômico do país, com a estabilização da moeda e a abertura do mercado para produtos importados. Esses fatores reduziram a margem de lucro das lojas, que não podiam mais repassar os custos da inflação para os preços, e aumentaram a concorrência de produtos estrangeiros, muitas vezes de melhor qualidade e menor preço.

A falta de planejamento estratégico e de gestão profissional da empresa, que era controlada pela família Basbaum. A empresa não se adaptou às novas exigências do mercado, nem investiu em inovação, tecnologia e diferenciação. A empresa também não soube administrar o seu endividamento, nem negociar com os fornecedores e os credores.

A perda de competitividade frente às Lojas Americanas e a outras redes de varejo, que se modernizaram e se diversificaram. As Lojas Americanas, por exemplo, criaram novos formatos de loja, como as Americanas Express e as Americanas.com, e ampliaram o seu mix de produtos, incluindo alimentos, livros, CDs e DVDs. As Lojas Brasileiras, por sua vez, mantiveram o seu modelo tradicional, que se tornou obsoleto e pouco atrativo.


O fim das Lojas Brasileiras


Em 1982, as Lojas Brasileiras foram vendidas para a família Goldfarb, que já era dona das Lojas Marisa, uma rede de moda feminina. A ideia era manter as duas marcas, mas aproveitar as sinergias entre elas. Porém, a situação financeira das Lojas Brasileiras se agravou nos anos seguintes, e a família Goldfarb decidiu encerrar as atividades da empresa em 1999.

Na época, as Lojas Brasileiras tinham 63 unidades em 20 estados do Brasil, e empregavam cerca de 6 mil pessoas. A empresa tinha uma dívida de cerca de R$ 100 milhões, e não conseguia pagar os seus compromissos. A empresa entrou em processo de falência, e as lojas foram fechadas ou vendidas para outras redes, como as Lojas Marisa, as Lojas Riachuelo e as Casas Bahia.

O fim das Lojas Brasileiras foi um marco na história do varejo brasileiro, e deixou muitos clientes e funcionários saudosos. A empresa foi uma das pioneiras no segmento de lojas de departamento, e marcou várias gerações de consumidores com os seus produtos, serviços e propaganda.


O que podemos aprender com o fim das Lojas Brasileiras?


A história das Lojas Brasileiras nos ensina algumas lições importantes para os empreendedores e gestores do varejo atual, como:

  • A importância de se adaptar às mudanças do mercado e do consumidor, buscando sempre se atualizar, inovar e se diferenciar dos concorrentes;
  • A necessidade de ter um planejamento estratégico e uma gestão profissional, que permitam tomar decisões baseadas em dados, metas e indicadores;
  • A relevância de ter uma boa gestão financeira, que controle o fluxo de caixa, o endividamento e a rentabilidade do negócio;
  • A vantagem de ter uma marca forte e uma proposta de valor clara, que gerem identificação e fidelização dos clientes;
  • A responsabilidade social e ambiental, que envolve respeitar os direitos dos funcionários, dos fornecedores e dos consumidores, e contribuir para o desenvolvimento sustentável da sociedade.


Conclusão


As Lojas Brasileiras foram uma das maiores redes de varejo do Brasil, que competiram com as Lojas Americanas pelo mercado de lojas de departamento. Porém, a empresa não soube se adaptar às mudanças econômicas e sociais do país, e acabou fechando as portas em 1999.

Neste artigo, contamos a trajetória das Lojas Brasileiras, desde a sua fundação em 1944 até o seu fim em 1999. Analisamos os fatores internos e externos que influenciaram o seu sucesso e o seu fracasso, e extraímos algumas lições para os empreendedores e gestores do varejo atual.

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